<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961</id><updated>2012-02-06T10:27:41.315-08:00</updated><title type='text'>Nas EntreLinhas</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>42</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-1925771853605862622</id><published>2011-12-01T11:44:00.000-08:00</published><updated>2011-12-01T11:45:18.344-08:00</updated><title type='text'>Resolução</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;O que eu preciso é&lt;br /&gt;ser dona de um&lt;br /&gt;Eu&lt;br /&gt;que não me impeça de&lt;br /&gt;Mim.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-1925771853605862622?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/1925771853605862622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/1925771853605862622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/12/resolucao.html' title='Resolução'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' 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fúria acesa nos olhos tira do umbigo um feto não vingado pra transformar em morte e chover tudo sobre esses teus olhos sem cor. eu te quero com muita morte e se pudesse te rasgaria com cada unha que me sobra e também com os caninos afiados eu te rasgaria a pele morena de praia e arrancaria os longos fios de cabelo escuro e mastigaria teu nariz de pássaro até dilacerar cada centímetro de homem e fazer de você um resto um rastro um fiapo daquilo que foi um dia pra depois sorrir aliviada e perceber que sem dar conta me desembrulhei e agora já não sou mais casulo mas selvagem medusa com sangue entre as presas e fúria dos olhos aos ossos, assim, só mesmo porque você não me quis.]&lt;/div&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-1991556029266052099?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/1991556029266052099'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/1991556029266052099'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/11/medusa.html' title='Medusa'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-3556560846495842444</id><published>2011-11-01T17:16:00.000-07:00</published><updated>2011-11-01T17:25:18.779-07:00</updated><title type='text'>Sobre a vertigem diante do abismo</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu sei que você sabe, estou muito acostumada a esses pequenos jogos de reconhecimento e ignorância, como se mesmo o não saber já soubesse e você - sabendo - às vezes chega até a não saber. Talvez eu também veja nesse teu rosto inapreensível um qualquer coisa de irrealidade onírica: venho sonhando você? algo meio Borges, eu não sei. Mas nessa inexistência é que você me soa possível e tão mais real, como se só então pudesse fincar os dedos pelos teus cabelos de vento e chuva. É que tudo em você mente muito. Vejo de perto e os fios não são tão escuros, mas sim um pouco acinzentados: essa tua vida respirada pela pele, é também um pouco morte? Sempre te enxerguei tão vivo que até esqueci que quanto mais vivo também mais morto. Mas só assim, nessa mentira nascida de uma terra estéril, só assim é que eu te dou um sorriso que use todos os dentes. Antes disso, não. Inacessíveis fendas que se fecham conforme eu - patas brutas de rinoceronte - me aproximo enfim. Tudo que de você me foge é o que me prende. Impossibilidades cravadas em rasgos de assimetria: conforme te sonho, te decreto a inexistência. Mas nada que azede a beleza dos dias: as coisas que não existem são mais bonitas. Você sabe, eu sei.&lt;/div&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-3556560846495842444?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/feeds/3556560846495842444/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4503152065689463961&amp;postID=3556560846495842444' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/3556560846495842444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/3556560846495842444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/11/sobre-vertigem-diante-do-abismo.html' title='Sobre a vertigem diante do abismo'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-5626830449175447320</id><published>2011-10-31T16:26:00.000-07:00</published><updated>2011-10-31T16:29:43.297-07:00</updated><title type='text'>Círculo vicioso</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;roer esperas azuis que se embebem nas vidraças de ins-&lt;br /&gt;piração consternada, que se quebram estilhaçadas em opulências br-&lt;br /&gt;ancas, sempre acossadas em pernas manchadas pela loucura sub-&lt;br /&gt;traída, mesmo que os vícios ainda chorem em pro-&lt;br /&gt;fusão e não queiram nada além de uma derrapagem sem ped-&lt;br /&gt;aços, há ainda as torrentes sobre as grossas cobertas de p-&lt;br /&gt;ele e um eu amarelo que não se destila sem cor-&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-5626830449175447320?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/5626830449175447320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/5626830449175447320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/10/ciclo-vicioso.html' title='Círculo vicioso'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-2604625420626151091</id><published>2011-10-30T00:00:00.000-07:00</published><updated>2011-10-31T16:27:19.547-07:00</updated><title type='text'>Até onde vai um cabelo?</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;[Meti a tesoura. Eu sei, não foi muito. Podia ser mais, eu sei, podia mesmo. Mas meti. Cortei o cabelo como quem se amputa. É o que me interessa. Meu cabelo nunca foi só um cabelo. Venho deixando que ele cresça sem contornos, sem limites, venho deixando que ele se alongue como se quisesse chegar a algum lugar que eu própria não chego nunca. Faz seis anos que ele me cai sobre os ombros, que ele me encosta nas costas, faz seis anos que ele me esconde de mim. Meu cabelo é uma mortalha. É roupa de personagem longínquo. Venho me segurando ao meu cabelo pois o resto todo ia embora e eu já não tinha mais o que guardar nas mãos inquietas. Tudo me escorre por entre os dedos, menos os grossos fios de natureza. Até onde vai um cabelo? Colete salva-vidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me amputei o cabelo porque precisava largar tudo o que me sustentasse na água. No oceano aberto, sem botes ou coletes, só me resta aprender a nadar. E foi como uma morte. Porque é também necessário, eu sei, eu precisei morrer para depois nascer de novo. Meu cabelo foi minha terceira perna. E eu agora não sou mais um tripé. Corro riscos imensos, mas é preciso: cabelo morto, vamos ver o que nasce agora. Já não pertenço ao cabelo, mas o cabelo é que pertence a mim.]&lt;/div&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-2604625420626151091?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/2604625420626151091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/2604625420626151091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/10/ate-onde-vai-um-cabelo.html' title='Até onde vai um cabelo?'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-5608475810207874259</id><published>2011-10-27T19:36:00.000-07:00</published><updated>2011-10-27T19:36:45.397-07:00</updated><title type='text'>Em mímica</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas é como se no caminho nada me fosse dado - tenho muita sede, muita sede - e nesses verões marroquinos ando pela cidade como que aguardando a entrada de um acontecimento fatal - tudo me arde, tudo me arde. As mãos sempre úmidas, os olhos secos (ou vice-versa e tanto faz), eu: mumificada em mim mesma. E esse discurso que não termina, essa palavra incendiada que me percorre feito bebida alcoólica adentrando o corpo, lânguida linguagem lúbrica. Estou vivendo em mímica. Você não percebe? Tenho te dado verdades em silêncio. Assim, como quando você passa e eu finjo que não vejo, só mesmo pra te dizer que, sim, eu vi, sim, senti, que sim: quando você passa, passa é por cima de mim. Grande vulto de palavra não frutificada. A verdade é que a minha vida cheira a aborto. Tudo morre no meio, tudo se reparte como quem parte e do parto me resta só a idéia longínqua de um nascimento que não vingou. Mas é como se no caminho nada me fosse arrancado. Carrego vastos gestos na testa e só vivo ao avesso pois tenho muito medo de morrer em mim.&lt;/div&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-5608475810207874259?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/5608475810207874259'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/5608475810207874259'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/10/em-mimica.html' title='Em mímica'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-680260900799736789</id><published>2011-10-02T13:58:00.000-07:00</published><updated>2011-10-02T13:58:57.237-07:00</updated><title type='text'>Breve auto-propaganda</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pessoas queridas,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Resolvi ressuscitar a minha antiga idéia de manter um blog sobre cinema. Não entendo nada do assunto e não tenho a pretensão de falar sobre aspectos técnicos, mas queria um lugar onde eu pudesse depositar minhas impressões, reflexões e interpretações pessoais sobre todos os filmes que vejo e que me bagunçam de alguma forma.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pra quem quiser passar lá, o endereço é: &lt;a href="http://cinespasmo.blogspot.com/"&gt;http://cinespasmo.blogspot.com&lt;/a&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-680260900799736789?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/680260900799736789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/680260900799736789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/10/breve-auto-propaganda.html' title='Breve auto-propaganda'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-3173305517319127562</id><published>2011-10-01T08:35:00.000-07:00</published><updated>2011-11-02T06:32:22.812-07:00</updated><title type='text'>Declaração</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Mas eu amo aquele homem como se me arrancassem um pulmão.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-3173305517319127562?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/3173305517319127562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/3173305517319127562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/10/declaracao.html' title='Declaração'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' 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sorrisos&lt;br /&gt;como quem &lt;br /&gt;pula de 30 andares.&lt;br /&gt;cresci com os lobos e meu dente até hoje&lt;br /&gt;brilha&lt;br /&gt;quando vê carne pra mastigar&lt;br /&gt;(como a sua). &lt;br /&gt;eu encho os dias de lâmpadas&lt;br /&gt;até que nenhum abismo me reste no corpo.&lt;br /&gt;tudo em vão.&lt;br /&gt;minha natureza me traga com desespero de viciado&lt;br /&gt;em abstinência.&lt;br /&gt;nos reflexos do aço&lt;br /&gt;meus atos de cetim.&lt;br /&gt;nós ainda dançamos no escuro.&lt;br /&gt;e sempre.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;(Imagem: Jan Saudek)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-8659181796028620090?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/feeds/8659181796028620090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4503152065689463961&amp;postID=8659181796028620090' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/8659181796028620090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/8659181796028620090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/09/oraculos-no-escuro.html' title='Oráculos no escuro'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-Zq3wpwsiAKo/ToB2xzZ7-sI/AAAAAAAAB8w/UI8TKRv3AGU/s72-c/jan-saudek4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-2160973258422749600</id><published>2011-09-26T05:00:00.000-07:00</published><updated>2011-09-26T05:51:50.906-07:00</updated><title type='text'>Pra não dizer que não falei de amor</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;[Olha, talvez não vá além, esse estado que chamei de poucas migalhas, talvez seja ele a amplidão maior que se possa alcançar. O amor é matéria-prima sem função: não se utiliza sem se deturpar as formas. Estou desesquecendo você. Uma mão sobre outra mão. Deve ser mesmo assim, um bem sutil. Com consistência de brisa fresca que é pra não afugentar os minúsculos resíduos de vida. "Não falo de amor", ela diz, "é sempre um pouco brega." Mas, breguíssima, veste um sorriso no rosto que alcança o pescoço e a testa, duas panelas fumegantes no lugar dos olhos e uma intransponível ausência de linguagem.]&lt;/div&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-2160973258422749600?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/2160973258422749600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/2160973258422749600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/09/pra-nao-dizer-que-nao-falei-de-amor.html' title='Pra não dizer que não falei de amor'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-679603756567257662</id><published>2011-09-25T08:44:00.000-07:00</published><updated>2011-09-25T08:44:55.776-07:00</updated><title type='text'>Verão</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Carcaças de cigarras chovem sobre a minha sede.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-679603756567257662?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/679603756567257662'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/679603756567257662'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/09/verao.html' title='Verão'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-6648125147476107762</id><published>2011-09-23T06:22:00.000-07:00</published><updated>2011-09-23T06:22:20.543-07:00</updated><title type='text'>Tempos de colheita</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;enquanto fresta, a palavra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; vasta.&lt;br /&gt;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como brecha, se basta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;saliva em contínuo fluxo&lt;br /&gt;por retorcidos orifícios&lt;br /&gt;dos mais púbicos pudores&lt;br /&gt;entre as danças e dores&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; do indizível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(meu amor, se eu soubesse falar,&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; eu não escrevia.)&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto isso, o quarto escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ainda que breve, a palavra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; alada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com a pá, lavra,&lt;br /&gt;pele esfolada,&lt;br /&gt;escrava do subterrâneo que exige ser nascido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esgarça-se o indizível&lt;br /&gt;até que nele se abra a dobra&lt;br /&gt;da hipótese não consumada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;larvas de vitalidade pura em lento processo de&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; apropriação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e reconhecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;devir animal dos próprios fonemas&lt;br /&gt;(bichos peregrinos parasitas transitórios)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a pá que lavra&lt;br /&gt;me revolve a terra interna&lt;br /&gt;ofertando adubo e retirando frutos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; às vezes ainda não maduros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp; às vezes passados da estação.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-6648125147476107762?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/feeds/6648125147476107762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4503152065689463961&amp;postID=6648125147476107762' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/6648125147476107762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/6648125147476107762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/09/tempos-de-colheita.html' title='Tempos de colheita'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-8911967926005685493</id><published>2011-09-21T05:00:00.000-07:00</published><updated>2011-09-21T08:24:00.954-07:00</updated><title type='text'>Ele</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;[Tudo nele fala.&lt;br /&gt;E cala.&lt;br /&gt;Com o vôo zumbido de mil abelhas&lt;br /&gt;produzindo mel.]&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-8911967926005685493?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/8911967926005685493'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/8911967926005685493'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/09/ele.html' title='Ele'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-573660717671989684</id><published>2011-09-20T10:38:00.000-07:00</published><updated>2011-09-20T18:14:55.882-07:00</updated><title type='text'>Brainstorm de um dia sem fim.</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Isso não é um texto. Sou eu falando com a própria voz e a própria identidade (se é que ainda me resta alguma). Ele é de mim pra Eu (se me resta algum). Eu não sei porque. Brainstorm, esse é o nome. Sair assim, dizendo tudo. Tentei porque queria tirar o piano da garganta. Acho que escrevo cartas pra mim mesma. De qualquer forma, eu sempre falei sozinha. Essa é minha preciosidade mais delicada e meu fardo mais pesado: eu não sei existir pra fora. Houve tentativas de amor, é verdade. E boas conversas. Mas depois se apaga a luz e pronto, sobro só eu inteira (embora nem sempre). Também é uma verdade que venho tentando morrer faz algum tempo. Penso que é assim mesmo e depois passa, mas a minha tentativa sempre foi contínua - eu tento morrer desde que nasci. O problema é que é pouca literatura pra muito revólver na cabeça. Dia desses o desvio falha, eu sei. Eu sempre soube. Mesmo quando não, eu sempre soube que a literatura não podia me salvar. Daí aprendi a escrever e saí escrevendo pra ver se prolongava um pouco mais. Até que cheguei longe: vinte e um. Depois as pessoas riam quando eu dizia que tinha prazo de validade curto. Mas não mentia. Talvez seja até o oposto, a literatura me mata um pouco mais. E o revólver? O revólver sempre. Parece até que eu levei o tiro faz tempo. Assim, como se meus vinte anos fossem o espaço de tempo entre o instante em que a bala entra no corpo e o instante da morte em si. Eu tento muito conversar. Estranho isso, parece que ninguém me ouve muito bem e eu não ouço ninguém. O que eu quero eu também não sei. Não conversas de elevador, mas um algo denso, intrínseco, um algo que me dessem e eu desse de volta. Eu queria dar a alguém a dimensão de tudo. E falar que nem Macabéa: "eu me dôo o tempo todo". Diálogos Macabéicos. E dividir que eu também não sei ser gente, que eu não me habituei, que não sei ser possível. E que às vezes me invade uma correnteza brusca de tanto choro engolido e me dá vontade de deitar no colo de alguém e abraçar profundamente só mesmo pra acreditar. Contar que eu não gosto de altura porque tenho medo de querer me arremessar lá de cima (e sempre quero). Ou que vejo avenidas cheias e me nasce o mesmo impulso de morte. Talvez eu só escreva isso pro menino desconhecido dos olhos azuis que, do alto de seus seis anos de idade, me convidou pra sentar com ele enquanto eu olhava a avenida cheia de carros e resistia. Muitas pessoas me salvam diariamente sem saber. Como quem chora na minha frente e me acalma com a idéia de ver alguém por trás do rosto de máscara. Acho que é por isso que eu escrevo. Escrever é minha forma de deixar o mundo me ver chorar. Quem me vê por escrito me vê toda e aí minha dor se aplaca porque eu sei que não vou morrer sem que alguém tenha me enxergado bem fundo. Meu medo é morrer sem que tenham me visto sem máscara. Sou muito impermeável. Uma sede terrível, eterna, contínua, frequente, uma sede afetiva que nada resolve. Tudo me escorre, tudo entre os dedos. Chega a noite e o silêncio é sempre igual. Eu queria dividir a pergunta que não me deixa os ouvidos. Como existir? Tenho sobrevivido a mim mesma faz vinte e um anos, mas ainda me impressiono. Então faço planos amplos e ouço a voz na cabeça: será que alcanço os 30? Eu não sou uma suicida. As minhas mortes são bem mais sutis. E me levam embora todo dia.&lt;/div&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-573660717671989684?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/573660717671989684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/573660717671989684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/09/brainstorm-de-um-dia-sem-fim.html' title='Brainstorm de um dia sem fim.'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-7362039619695921948</id><published>2011-09-17T20:42:00.000-07:00</published><updated>2011-09-18T18:24:36.533-07:00</updated><title type='text'>Sem fala</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_jB9Bqt1W8s8/SrXPZ7aHnLI/AAAAAAAAAPc/yaDGL9jPWd0/s400/Carlos+9.jpg" imageanchor="1"&gt;&lt;img border="0" height="266" src="http://2.bp.blogspot.com/_jB9Bqt1W8s8/SrXPZ7aHnLI/AAAAAAAAAPc/yaDGL9jPWd0/s400/Carlos+9.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se eu soubesse te amar direito, juro que te amaria com a sinceridade de um recém-nascido. Mas é preciso muito pra alcançar o pouco e eu já sou muito antiga pra ter nascido ontem. Se te amo é enquanto idosa, espaços amarelados e lâmpadas baratas no teto gasto. Confissão: amei tudo que podia pra não ter que amar ninguém. É simples e fácil, embora não seja bom, mas amar talvez não seja vocação minha. Tudo em mim conspira pra uma forte tendência ao abismo. E, por fim, não há nada que fuja dessa morrinha de móveis antigos, lugares que não são nossos e que, no entanto, são o que nos cabem. Dentro desse hálito empoeirado, os ruídos me sussurram tudo o que se perde, tudo o que se impede e se impele - é pouco? é sempre pouco. Todos pra trás, nenhum impulso que nos salve do mofo. É a gente que sente o amor ou o amor que sente a gente? Sentado no meio do vácuo, você declara com voz de poeta engolido: Deixe os passos passarem... E me olha tão fundo que rompe os segredos todos. Mas eu não, eu sou um grampeador esquecido na geladeira. E o amor é feito um corte de papel que me arde por todas as peles. Eu sei, eu sei, entre nós somente a lâmpada barata no teto gasto. Mas, apesar dos pesares, em mim um amor de bebê sem fala.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;(Imagem: Carlos Araujo)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-7362039619695921948?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/feeds/7362039619695921948/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4503152065689463961&amp;postID=7362039619695921948' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/7362039619695921948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/7362039619695921948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/09/sem-fala.html' title='Sem fala'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_jB9Bqt1W8s8/SrXPZ7aHnLI/AAAAAAAAAPc/yaDGL9jPWd0/s72-c/Carlos+9.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-1962778808381657482</id><published>2011-09-15T18:33:00.000-07:00</published><updated>2011-09-15T18:33:32.896-07:00</updated><title type='text'>Conversão</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;[pássaros sem sombras, nada a se usar como prova.&lt;br /&gt;sem sobras, a imagem que não tem reflexo questiona a própria existência.&lt;br /&gt;do silêncio faz-se a inconsistência de tudo que eu diria.&lt;br /&gt;a vida não convertida em palavra ainda é vida?]&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-1962778808381657482?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/1962778808381657482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/1962778808381657482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/09/conversao.html' title='Conversão'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-1444071268003508487</id><published>2011-09-14T12:34:00.000-07:00</published><updated>2011-09-14T12:38:09.517-07:00</updated><title type='text'>Desidade</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;Faz anos estou emparedada entre um escovar de dentes e outro,&lt;br /&gt;entre o primeiro e o último encostar da cabeça no travesseiro.&lt;br /&gt;Flutuo nesse caldo de dias amolecidos,&lt;br /&gt;enquanto viro manchas na parede.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pensamento declara: fui terminada.&lt;br /&gt;Esse pão morno às sete já não me desafia.&lt;br /&gt;Dia desses aprendo a nascer e viro jovem,&lt;br /&gt;atravessando a velhice que me condena a cafés sem açúcar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinte e poucos anos de vida gasta em banho-maria,&lt;br /&gt;vinte e poucos de desidade.&lt;br /&gt;Não tenho certidão de nascimento.&lt;br /&gt;Já nasci antiga.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-1444071268003508487?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/feeds/1444071268003508487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4503152065689463961&amp;postID=1444071268003508487' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/1444071268003508487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/1444071268003508487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/09/desidade.html' title='Desidade'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-6231966145567744558</id><published>2011-09-14T10:16:00.000-07:00</published><updated>2011-09-14T10:36:24.617-07:00</updated><title type='text'>Mulher de Atenas</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-P4ZchRTv4zk/TnDearhSGiI/AAAAAAAAB8o/dmXKcJZz0XM/s1600/dave-mckean2.jpg" imageanchor="1"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://3.bp.blogspot.com/-P4ZchRTv4zk/TnDearhSGiI/AAAAAAAAB8o/dmXKcJZz0XM/s400/dave-mckean2.jpg" width="267" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou fechada nesse homem, além dele nenhum mundo, além dele vida zero, estou fechada e fadada como se desvendar seus detalhes fosse minha única função e a respiração não estivesse completa sem que o nariz dele respirasse o mesmo ar ou sua voz deslanchasse pelo ambiente em direção aos meus ouvidos e poros e corpo inteiro, pois não é só meu ouvido que ouve a voz que sai dele mas também as pupilas e pálpebras, as pernas, as unhas, peles e pelos, ainda que eu tente me arremessar pra longe de seu maremoto convulsivo, mais uma vez e sempre, a escada cresce e eu permaneço nos pequenos degraus desgovernadamente espelhados, de volta à sala vazia e fechada, a sala onde, sufocada, eu ouço a tua voz de sino me vibrando por cada órgão, penetrando em costelas, enquanto cresço em amor salivante, efervescente, quase bestial esse sangue que me grita nas veias e expulsa a pele pra longe, crescente crescente, até que não aguente mais de tanto amor no corpo e sinta vontade de morrer ou matar (piano pesado no peito), vasculhando o foco da infecção e sabendo que você é na verdade um dente camuflado de gengiva, prestes a me condenar em sentença de morte muda, destronada na minha própria função de sujeito e conjugando verbos que em mim não se exercem, mas aceitando quieta pois me faz feliz ser a comida que te servem em banquete de rei troiano, garfos, facas, talheres, e minha carne aguardando em dedicação plácida e meu sangue em taças, misturado a lágrimas, qualquer coisa que seja para entrar no teu corpo e ficar, ou até mesmo o oposto, pois também eu te comeria inteiro, lambendo a pele com gosto pra fazer das tuas células parte minha e cheirando-te as dobras do braço, a saliva, até que tudo me entre e, como uma sobreposição de organismos, seríamos um só, embora por dentro continue sentindo esse amor brutal a me estuprar os ossos, violentada em ópera contínua que cruza o horizonte e prossegue em pesos incomensuráveis, e eu te amo tanto que às vezes eu esqueço de respirar.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;(Imagem: Dave McKean)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-6231966145567744558?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/6231966145567744558'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/6231966145567744558'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/09/mulher-de-atenas.html' title='Mulher de Atenas'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-P4ZchRTv4zk/TnDearhSGiI/AAAAAAAAB8o/dmXKcJZz0XM/s72-c/dave-mckean2.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-5662274203746096311</id><published>2011-09-12T13:42:00.000-07:00</published><updated>2011-09-12T13:43:55.104-07:00</updated><title type='text'>Adestramento</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;morde a mordaça com voracidade de leoa e pureza de bicho manso&lt;br /&gt;(mortalha discreta que despenca sobre as cabeças distraídas)&lt;br /&gt;nada se vê&lt;br /&gt;nada se faz&lt;br /&gt;ata ou desata nessa nata de invertidos predadores.&lt;br /&gt;prende-se a presa com silêncios muito curtos&lt;br /&gt;(a ameaça é deixar que se amorteça o grito)&lt;br /&gt;na dormência, o soluço engolido&lt;br /&gt;entre pares de mãos e pares de pernas&lt;br /&gt;traqueias perfuradas por risadas empenadas&lt;br /&gt;e lágrimas fora da validade.&lt;br /&gt;o rosnado só ecoa nos ouvidos próprios&lt;br /&gt;quando ela ri um sorriso de cigarro velho e diz:&lt;br /&gt;é assim mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-5662274203746096311?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/feeds/5662274203746096311/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4503152065689463961&amp;postID=5662274203746096311' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/5662274203746096311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/5662274203746096311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/09/adestramento.html' title='Adestramento'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' 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a minha sede rasgava os poros, árida, e você desfilava os dentes brancos, misturado à areia e à espuma. depois da arrebentação o que existe é o abismo. e quando o mar se cala a gente sabe que a palavra é em vão - ninguém transpõe o silêncio do oceano, tudo se afoga, tudo se afunda, derradeiras golfadas de esquecimento. de um par de mãos nasce a tentativa falha de captura. sem botes ou coletes, entregues, nós nos dissolvemos em ilhas próprias, egocentricamente fundadas meio a um oceano de fluidez indivisível. eu ainda tento, inventiva, lamber-te o sal do rosto e dos cabelos, secar-te a pele com a própria pele, colocar-te sob o sol de quarenta graus corrosivos - mas não, ainda a gota que escorre insistente, ainda a mastigação contínua do mar. nada seca. um dia o organismo drena, evaporam-se os resquícios, resta só o sal. e eu e você espalhados por distantes continentes.&lt;/div&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-7018626735383758375?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/feeds/7018626735383758375/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4503152065689463961&amp;postID=7018626735383758375' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/7018626735383758375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/7018626735383758375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/09/amar.html' title='(a)Mar aberto.'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-8006427633190345444</id><published>2011-09-12T10:29:00.000-07:00</published><updated>2011-09-12T10:30:25.951-07:00</updated><title type='text'>Para não esquecer.</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre foi assim. Na inviabilidade da minha existência é que se encontra a brecha que foge ao possível. Não sendo eu, me sou inteira. E só posso ser eu quando não me sou. Sendo o outro ou o não-eu, contemplo de longe a minha própria impossibilidade: eu sempre soube que me ser seria improvável. Não é possível consumir a existência inteira, sobra um resto, resta um rastro, pequenos pedaços de ausências que não se preenchem de modo algum. Acaba o meu prazo de validade e eu continuo aqui: não-consumida, não-exercida, não-consumada. O que fica quando o corpo vai? O movimento quebrado ao meio, a frase perdida que não se conclui nunca, palavra que pende da boca, frouxa e muda. A vida freia na avenida movimentada. E deixa pelo asfalto as vagas sobras de antigas (in)existências. Enquanto viver, fuga ao possível, quero ser tudo que não é eu. Só então pode-se dizer que me fui profundamente.&lt;/div&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-8006427633190345444?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/8006427633190345444'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/8006427633190345444'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/09/para-nao-esquecer.html' title='Para não esquecer.'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-8098008133867815130</id><published>2011-09-12T08:13:00.000-07:00</published><updated>2011-09-12T08:13:15.322-07:00</updated><title type='text'>O necessário</title><content type='html'>&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;[o que me é necessário só se faz visível à medida que escala a superfície em esforço contínuo anti-morte. mas se o necessário me pertence, é também necessário que o desnecessário me possua e infle todo o seu oposto em imposição velada. dominó de existências condicionadas que se posicionam em fluente gangorra. um vem-e-vai fluido, como um caldo que escorre morno, peneirado, filtrado, afunilado. nem tudo que me chega fica. metade de mim bate nos dentes e volta, metade se projeta da garganta e não sobrevive ao ar livre. é necessário que eu me possua e me pertença, isso é certo. ainda que o resto bóie em correntezas preguiçosas de lenta peregrinação. um dia vem a queda d'água e pronto, só resta o eu sem rosto. mais nada.]&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #999999; font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-8098008133867815130?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/8098008133867815130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/8098008133867815130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/09/o-necessario.html' title='O necessário'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-2001492441414868035</id><published>2011-09-10T11:07:00.000-07:00</published><updated>2011-09-21T15:14:49.064-07:00</updated><title type='text'>Dos partos, o pior.</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;sob a pálpebra da página depauperada&lt;br /&gt;um feixe invisível, indivisível&lt;br /&gt;lotado de abismos empilhados,&lt;br /&gt;existências empalhadas,&lt;br /&gt;pústula borbulhante de pus aceso.&lt;br /&gt;eu aperto o cinto que me circula&lt;br /&gt;os ossos&lt;br /&gt;que me rodeia &lt;br /&gt;o corpo&lt;br /&gt;eu sufoco transparências&lt;br /&gt;com aderências das mais densas&lt;br /&gt;pra que daí nasça a palavra escarlate&lt;br /&gt;a me violar as cordas vocais.&lt;br /&gt;é que eu sou muda e não me contaram.&lt;br /&gt;esparadrapada em silêncio morrinhento&lt;br /&gt;aguardando a fresta&lt;br /&gt;aguardando a fresta&lt;br /&gt;colunas em crescente desmoronamento&lt;br /&gt;pés que se perdem das pernas&lt;br /&gt;vértebras inconsequentes que ainda insistem&lt;br /&gt;e um imenso desejo esmirrado entre dois pulmões.&lt;br /&gt;daonde vem a voz? &lt;br /&gt;pois é necessário cautela, eu sei&lt;br /&gt;se não tomo cuidado, piso em palavra carnívora&lt;br /&gt;que me devoraria inteira&lt;br /&gt;se não tomo cuidado, o som me engole e mastiga&lt;br /&gt;de forma que já não seria eu a dona da voz&lt;br /&gt;e sim a voz dona de mim. &lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-2001492441414868035?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/feeds/2001492441414868035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4503152065689463961&amp;postID=2001492441414868035' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/2001492441414868035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/2001492441414868035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/09/dos-partos-o-pior.html' title='Dos partos, o pior.'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-3841471906738676464</id><published>2011-09-09T08:39:00.000-07:00</published><updated>2011-09-12T10:41:24.185-07:00</updated><title type='text'>esCRERver.</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-EayXXEDqa2Q/Tm4iSiQm5CI/AAAAAAAAB8g/KP0iBnHaaNg/s1600/david-ho2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-EayXXEDqa2Q/Tm4iSiQm5CI/AAAAAAAAB8g/KP0iBnHaaNg/s400/david-ho2.jpg" width="283" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="background-color: white; color: #999999;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; color: #999999;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;"mas o que é real?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; color: #999999;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;a literatura ou o que escapa da escrita?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; color: #999999;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;a vida relatada, não sendo minha, é mais minha sendo do outro."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; color: #999999;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(carpinejar)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; color: #999999;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; color: #999999;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; color: #999999;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;"quanto do que é escrito é possível viver?"&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="background-color: white; color: #999999;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(leonardo marona)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;quantos eus por escrito, quantos eus corpóreos, entre uns e outros, quantos reflexos exatos e aberrações distorcidas? se planejo representar com exatidão, me frustro: conforme as coisas são ditas já deixaram de ser as mesmas. já são novas, são outras, flexões flexíveis vindas de um mesmo ponto de origem. onde mora a diferença entre o reflexo e a imagem? quantas imagens são necessárias para formar um reflexo? quantos reflexos são necessários para distorcer uma imagem? entre o eu que escreve e o eu que vive, quantos abismos? quantas semelhanças? se é algo que me empurra pra fora de mim esse impulso escritor, então o que me ocupa enquanto escrevo? quem me ocupa? onde vou parar enquanto meu corpo escreve por mim? como se uma gigantesca onda viesse - essa onda de tudo aquilo que eu não sou - e tragasse pra si o barco que fica na areia - esse barco de tudo que eu penso ser. e aos poucos o barco fosse então se desmontando, se desfazendo, dissolvendo-se em minúsculas partes que se confundem com a água. já não se sabe onde começa um e onde termina o outro. disseram pra mim um dia: escrever é feito vomitar. e eu concordei, mas só depois percebi que só se vomita aquilo que já se ingeriu. a comida que vem de fora e me alimenta, me sustenta, até que - já dentro do organismo - sofra suas influências, receba seus líquidos, suas substâncias, transforme-se em algo que transponha a própria comida original. é isso o que se vomita. tudo o que não sou me vem feito alimento. dele me sirvo, me sustento, e a ele me mesclo em um processo digestivo, construtivo, um processo em que meu corpo age sobre o que, a príncipio, não lhe pertencia. só então é possível exteriorizar de novo: não a comida de antes, mas o bolo alimentar pós-mustação. da mesma forma me disseram: escrever é que nem parir. e o parto só nasce após uma gestação de nove meses que se inicia com um agente externo. é preciso que algo entre pra que se transforme e se externe de novo. mas, conforme entra e depois sai, também leva um pouco de mim. quantos eus genuínos em quantos eus criados? e quantos eus criados deixam em mim seus rastros? se escrevo sobre a puta, viro eu também um pouco puta? ou a puta é que leva um pouco de mim nas costas? um dia escrevi sobre aborto e passei a tarde sentindo a barriga oca. de luto pelo que me havia sido arrancado: a linguagem me arrancou um bebê que eu não concebi. o que, por outro lado, concebi e tive e em mim existiu de fato, isso já não posso dizer. quantas realidades eternamente perdidas dentro da qualidade de indizível? a incapacidade intransponível de se dizer o que se é, como tentar transformar algo sólido em líquido: já não é mais a mesma substância. e a substância líquida que se vê em letras, quantos sólidos não deturpou? ao tentar imitar a vida o que se faz é criar uma nova vida. outro formato, outra dimensão, minha escrita é um devir da minha própria existência. tudo que foi, não foi, seria, será, teria sido, mistura de tempos verbais e (im)possibilidades que não se completam, sempre inexatas e inacabadas, aguardando que se coloque nelas um pouco mais de sangue, mais células, mais organismo vivo. repito sempre o mesmo ciclo porque é da minha natureza continuar tentando dizer o indizível. vomitar o invomitável. conceber o inconcebível. mas tudo que digo, vomito e concebo me transpõe de tal forma que deixo de ser o que antes queria dizer e passo a ser o que agora digo. mesmo porque os extremos formam um círculo e acabam por ser a mesma coisa: tudo que não sou é também o que sou e vice-versa. assim como o ateu é o mais religioso dos homens e o ódio a mais intensa forma de amor, eu também sou tudo aquilo que faço questão de negar: minha oposição, meu negativo, esses me revelam mais do que qualquer afirmação. nos opostos que se debruçam sobre as letras, quanto de mim e quanto dos outros? nesse caldeirão de vidas que me chegam, vidas que me modificam, e que saem de mim levando partes do meu próprio eu e criando novos eus à medida que avançam sozinhos. quantos eus espalhados em diferentes roupagens? quanto do meu eu genuíno em cada um dos não-eus? e quanto de cada não-eu no meu eu genuíno? escrever é nascer várias vezes de uma vez só. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;span style="color: #999999;"&gt;(Imagem: David Ho)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-3841471906738676464?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/feeds/3841471906738676464/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4503152065689463961&amp;postID=3841471906738676464' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/3841471906738676464'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/3841471906738676464'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/09/escrerver.html' title='esCRERver.'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-EayXXEDqa2Q/Tm4iSiQm5CI/AAAAAAAAB8g/KP0iBnHaaNg/s72-c/david-ho2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-7593842900232846052</id><published>2011-09-02T18:49:00.000-07:00</published><updated>2011-09-02T18:51:21.323-07:00</updated><title type='text'>Refluxo.</title><content type='html'>&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Regurgitando antigos agitos&lt;br /&gt;que me galgam a garganta&lt;br /&gt;em agridoce agonia&lt;br /&gt;pra gorgear a tarde morta.&lt;br /&gt;Gargalhando em assimetria&lt;br /&gt;como quem garimpa afinação perdida&lt;br /&gt;em sutis golpes e grotescas gotículas.&lt;br /&gt;Grafando a própria guarnição que me governa,&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Eu me regurgito&lt;br /&gt;em grito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-7593842900232846052?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/7593842900232846052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/7593842900232846052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/09/refluxo.html' title='Refluxo.'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-9115693450335266351</id><published>2011-08-30T17:08:00.000-07:00</published><updated>2011-08-30T17:08:47.774-07:00</updated><title type='text'>Autobiograficamente falando.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[O que eu quero é muito simples. Muito sutil. Tudo fluido, líquido, oscilante, nada que me prenda os membros, nada que me atropele o vôo. Quero sensações em maremotos. Cega às convenções, cega ao politicamente correto, ao socialmente esperado, cega ao moralismo de gangorra. Nada me interessa. Quero encostar num rosto pela descoberta da textura, das reentrâncias, das saliências, quero descobrir um rosto com curiosidade de criança. Pegar nos fios do cabelo, escorregar os dedos, sentir pele, toque, pelo, sem que se conclua por isso que desejo qualquer coisa que vá além. Às vezes me dá um espasmo e dos meus olhos se faz alguma espécie de telescópio: enxergo bem mais. E folhas e luzes e gotas e olhos e minúsculos sons e microscópicas texturas, como se já não estivesse no próprio corpo e não fosse mais pessoa. A existência me é um assunto misterioso que nunca antes ouvi falar: como se não existisse, como se nunca fosse existir. Aérea, vou pairando entre as sutilezas e então nada mais é feio - nas pequenas brechas, nas frestas, uma beleza de vida que não se compara a nenhuma outra. Não mais enxergo jovens ou idosos, cores, espécies, etnias, não mais vejo rótulos, conceitos prévios e categorias, é tudo transformado em um emaranhado de vida em que só se enxerga a existência borbulhando e borbulhando, maestria em milimétricos detalhes. Mas é também triste pois nunca posso dizer: "como você é bonito." sem que me interpretem de outras formas. Não posso encostar, olhar, cheirar, sentir, meus sentidos são constantemente podados pelas convenções que me rodeiam. E o que eu quero é tão simples. Eu quero um olho gelatinoso, vivo, lúcido, pulsante pupila me olhando bem fundo até que tudo imploda e eu me retorne pra mim.]&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-9115693450335266351?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/feeds/9115693450335266351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4503152065689463961&amp;postID=9115693450335266351' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/9115693450335266351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/9115693450335266351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/08/autobiograficamente-falando.html' title='Autobiograficamente falando.'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-4602449335894629008</id><published>2011-08-25T16:59:00.000-07:00</published><updated>2011-08-25T16:59:22.498-07:00</updated><title type='text'>Convexo.</title><content type='html'>&lt;br /&gt;o inverso do verso convexo, entre conversas e controvérsias,&lt;br /&gt;tão côncavo, diversos avessos de versos,&lt;br /&gt;contraponto da própria voz pontuada.&lt;br /&gt;entre amor e tumor há poucas letras.&lt;br /&gt;a de negação, tu 2ª pessoa&lt;br /&gt;meu amor nega a si próprio e então vira&lt;br /&gt;ao avesso.&lt;br /&gt;eu parto do meu próprio parto,&lt;br /&gt;invertendo vertigens e vértices&lt;br /&gt;como um devir sem ir-e-vir.&lt;br /&gt;do avesso dos diversos versos&lt;br /&gt;faz-se a voz, a foz, entre-&lt;br /&gt;cortada&lt;br /&gt;pontuada&lt;br /&gt;contra-argumentada&lt;br /&gt;frente e verso &lt;br /&gt;e vice-versa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-4602449335894629008?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/feeds/4602449335894629008/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4503152065689463961&amp;postID=4602449335894629008' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/4602449335894629008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/4602449335894629008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/08/convexo.html' title='Convexo.'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-7785009741547523441</id><published>2011-08-12T23:24:00.000-07:00</published><updated>2011-08-12T23:51:57.752-07:00</updated><title type='text'>Lacres</title><content type='html'>&lt;div style="color: #666666; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;"E só me apaixono por casos perdidos, homens com um quê de irremediável."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(Claudia Roquette-Pinto)&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;"Num súbito movimento, antes de se interpretar, o professor estendeu-lhe a mão&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;por cima da mesa. Joana estremeceu de prazer, deu-lhe a sua, enrubescida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;- O que foi? - disse ela baixinho. E amava aquele homem como se ela mesma&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;fosse uma erva frágil e o vento a dobrasse, a fustigasse."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #666666; text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(Perto do Coração Selvagem)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;fustigada e dobrada em três, vejo no teu olho escuro o rio onde você - como ele - me afogaria lentamente, ou talvez com a faca me fatiasse antes, mas sim, a morte é lenta e teu olho escuro assiste, esse olho de túnel vazio que não respinga vez nenhuma. não é possível compreendê-lo. se meu fascínio é furtivo, a culpa é daquele homem que não se deixa enquadrar. saído da pena de poe, eu sinto, aquele homem carrega na voz lenta algum mistério frágil e funesto que só ele entende. Aquele homem, gosto de falar assim, pois tua natureza de homem vem antes como se te revelasse um pedaço sem permissão. gosto de falar assim pois é parte da tua estranheza esse ser homem sem saber como. você não sabe ser homem. e por não saber, sabe até demais. com as mãos grandes em brasa, toque de ferocidade sutil, e o corpo alto, longínquo, sem saber existir com exatidão. assim como eu, você só existe em potencial: fissura entre o espaço que se deve ocupar e aquele que se ocupa. mas eu, escorregadia, pra todos os lados, - da pena de clarice, é possível - eu me embrenho pelos corredores e carrego nas mãos meu amor fungível, um pouco mais gasto à medida que você se revela. homem antigo, sim. somos unidos por braços pesados, olhos turvos, qualquer coisa de nocivo em presas discretamente posicionadas. há algo de muito primitivo na sutileza bruta desse homem. penso que minha fragilidade não sustenta, receio desintegrar com o simples toque. mas sou também frugal e necessito de pouco para manter os pés simétricos, o coração ritmando. ainda que me afogue, me fatie, me quebre o pescoço, a coluna e os braços. pesada e derradeira, como um fardo deslocado de lugar, eu não duro menos que o necessário. sei disso, já morri outras vezes. e também matei. com olhos de coruja e mãos de aço, perniciosos atos que as urgências me exigiram. minha fratura é imposta, homem, é preciso que você perceba. nós somos duas criaturas herméticas, inapelavelmente sozinhas. e se te observo de longe, com essa adoração infantil, esses meus desastres de sofia e desejos de joana, é porque o teu segredo inviolável me viola e na tua natureza de homem também eu me torno primitiva e prestes a existir sem lacres.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-7785009741547523441?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/feeds/7785009741547523441/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4503152065689463961&amp;postID=7785009741547523441' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/7785009741547523441'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/7785009741547523441'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/08/lacres.html' title='Lacres'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-2719367819021338443</id><published>2011-08-11T19:57:00.000-07:00</published><updated>2011-08-12T10:42:53.443-07:00</updated><title type='text'>Transpiração.</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-M-IgxziY3jQ/TkVka58CIlI/AAAAAAAAB7Y/QUvfa40UlFM/s1600/dave2.jpg" imageanchor="1"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-M-IgxziY3jQ/TkVka58CIlI/AAAAAAAAB7Y/QUvfa40UlFM/s320/dave2.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na vértebra das tuas palavras, onde se aloja esse parasita de vida própria, vida imprópria, pura, abrupta, essa vida que atropela, as rugosidades rastejantes oscilando feito areia molhada e um quê de prévia amnésia emergindo dos teus urgentes excessos. Não é você que fala, mas a voz de uma existência anterior ao teu corpo, a voz desse inseto que lateja e farfalha subcutaneamente, sorrateiramente, e deixa aqui ou ali pedaço de asa a ser visto no teu olho límpido, eu sei. Há uma vida tão imensa transpirando dos teus poros que tenho medo de morrer de excesso por mera aproximação. Mas insisto pois existo com ruído quando perto de você. E quando vejo a asa no olho é quando nasço de novo, tudo de novo. Tudo de novo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #999999; font-size: x-small;"&gt;(Imagem: Dave McKean)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-2719367819021338443?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/feeds/2719367819021338443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4503152065689463961&amp;postID=2719367819021338443' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/2719367819021338443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/2719367819021338443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/08/transpiracao.html' title='Transpiração.'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-M-IgxziY3jQ/TkVka58CIlI/AAAAAAAAB7Y/QUvfa40UlFM/s72-c/dave2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-6058252171056443999</id><published>2011-08-10T07:34:00.000-07:00</published><updated>2011-08-10T12:59:46.860-07:00</updated><title type='text'>(des)gosto</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;[e essa manhã de agosto que não para nem passa, encharcada de ausência como se nem minha voz soubesse mais aonde ir - perdida entre os atritos de nervos glotes salivas cordas, minguando aguada nessa falta de gosto. a-gosto. é o prefixo que enforca os meus focos e dessa visão embaçada, desse gosto de névoa na boca dormida, o que resta é um eu sem ser. é que eu não paro de nascer. mas assim, nas horas cegas e mornas que me cozinham em banho-maria, também o grito de nascimento murcha e nada resta se não uma morte tão sutil que me embala em berços cômodos de esquecimento. coberta de sangue pós-parto e pré-morte, cuspo a saliva com violência que é pra ver se a voz vem junto. silêncio. o que me restam são as raras arestas de uma plana manhã em um agosto sem gosto.]&lt;/div&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-6058252171056443999?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/feeds/6058252171056443999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4503152065689463961&amp;postID=6058252171056443999' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/6058252171056443999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/6058252171056443999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/08/desgosto.html' title='(des)gosto'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-7516635169117693435</id><published>2011-07-26T10:00:00.000-07:00</published><updated>2011-08-15T13:14:15.310-07:00</updated><title type='text'>Duas pessoas sem solução.</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-slGKOgpeZDg/Tkl79DMtGLI/AAAAAAAAB7g/zCVcWsBnROk/s1600/silvia-pelissero.jpg" imageanchor="1"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-slGKOgpeZDg/Tkl79DMtGLI/AAAAAAAAB7g/zCVcWsBnROk/s400/silvia-pelissero.jpg" width="281" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela chora corações vermelhos de carne musculosa, contraída, pulsante, e respira como quem tenta parar de existir e não consegue. Então usa as mãos - pequenas, infantis - pra gesticular e dizer que, assim, de repente, recém acordada de uma distração qualquer, se viu com um estranho no corpo. Eu encontrei um amor em mim. Bem aqui, diz, aqui no estômago. Aqui no útero. No pulmão. Não sei dizer com precisão, ele escorrega e se esconde com frequência. Depois me olha assombrada e eu vejo naquele rosto branco uma contração que oscila entre criatura recém-nascida e prestes a morrer. É tudo a mesma coisa, ela diria, esses extremos levam sempre ao mesmo abismo. E eu respiraria fundo pra não me deixar desaguar naqueles olhinhos de água turva. De uma forma ou de outra, estamos condenados, eu sei. Somos duas pessoas sem solução. Feito carne de músculo, pura contração involuntária.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #999999; font-size: x-small;"&gt;(Imagem: Silvia Pelissero)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-7516635169117693435?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/feeds/7516635169117693435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4503152065689463961&amp;postID=7516635169117693435' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/7516635169117693435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/7516635169117693435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/07/duas-pessoas-sem-solucao.html' title='Duas pessoas sem solução.'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-slGKOgpeZDg/Tkl79DMtGLI/AAAAAAAAB7g/zCVcWsBnROk/s72-c/silvia-pelissero.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-8068998461645515907</id><published>2011-07-24T18:25:00.000-07:00</published><updated>2011-08-09T18:42:54.647-07:00</updated><title type='text'>Delírio de uma santa.</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Risca em mim esse rosto que você quer e eu mudo. Eu: muda. Passiva, lasciva, meretriz dedicada que sou e você não enxerga. Me enxergue. Diversas faces, de versos e restos, me convoque e eu me entrego. Mas eu quero esse teu grunhido interno ecoando pelos meus ouvidos, escorrendo pelas pernas, lambendo poros feito cão no cio. Ossos e órgãos, te engolir inteiro pra sair de mim e ser você ou ser eu com você em mim. Laço de pelos, laço de peles. Gueixa, me banho em delicadeza e aguardo submissa. Pra você trazer de mim a puta que a saliva me empurra abaixo todo dia.&lt;/div&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-8068998461645515907?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/8068998461645515907'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/8068998461645515907'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/07/delirio-de-uma-santa.html' title='Delírio de uma santa.'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-8266830352929181206</id><published>2011-07-15T09:42:00.000-07:00</published><updated>2011-08-09T18:20:04.452-07:00</updated><title type='text'>Voz de café.</title><content type='html'>&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Você desenterra as mãos dos bolsos e me olha em deslize. Sempre em deslize, esse nosso olhar que esbarra mas não gruda. Fragmentado em muitos, teu olho se espalha em multidão. Eu abaixo o rosto, aguardando (já não se sabe o que), enrolo as mãos com jeito de adolescente. E já não sou mulher mas menina enroscada em si mesma, abrigo de um furacão. Quando teu rosto volta e entra no mesmo rumo que o meu, aí então escorrego de novo e me perco em ventania. A mão suada segura o vestido e, seca, a boca transparece. O deslize não dura pois no teu olho de pedra molhada eu escorrego sem fim. Esse que me toma e não me enxerga, por trás de óculos escuros e voz de café, esse eu não sei quem é. Com maquiagem cobrindo a pele branca, me olho no espelho e: mulher. Mas perto de você: menina.&lt;/div&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-8266830352929181206?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/feeds/8266830352929181206/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4503152065689463961&amp;postID=8266830352929181206' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/8266830352929181206'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/8266830352929181206'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/07/voz-de-cafe.html' title='Voz de café.'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-2979979335333812533</id><published>2011-06-08T08:24:00.000-07:00</published><updated>2011-08-12T08:30:57.062-07:00</updated><title type='text'>Buraconegro.</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-xiQsWI6ai60/TkVGU3lbhfI/AAAAAAAAB6w/U_B2LaNWGks/s1600/david-lupton7.gif" imageanchor="1"&gt;&lt;img border="0" height="160" src="http://2.bp.blogspot.com/-xiQsWI6ai60/TkVGU3lbhfI/AAAAAAAAB6w/U_B2LaNWGks/s320/david-lupton7.gif" width="148" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pregos e parafusos se desprendem de meu rosto embonecado. Ruídos e ruídos de moscas e fontes e precipícios, tudo me dilui em áspera água prateada. É o grito que rasga as veias enquanto me desfaço do aço enferrujado. Nada fala. E os corvos sobre os postes, com seus olhos de petróleo incandescente, postura altiva de reis, seus abismos de penas negras. Quero arrancá-los com os dentes, depená-los com afiadas unhas de rainha, tomá-los o poste que é trono e aí então governar. Vigias de tudo, me cobrem de olhares sem mexer as asas, retos feito guilhotina. Os ruídos se multiplicam, ainda a pele, ainda o olho, a gelatina flácida e esse esgoto que foge por todos os poros. Dedos e buracos, nada além de um rosnado que gruda sobre todas as coisas e denuncia os seres pulsantes que se escondem sob o branco ilusório. Daquela cor sem cor que é a mistura de tudo e não chega a ser nada surge a mão desencarnada e coberta de lodo. Eu obedeço, me embalo, cuspindo engrenagens e abraçando a natureza que me agarra pelas pernas. Deitada no pântano que de mim jorra em cachoeira, enxergo um céu inalcançável de tão limpo. E os corvos sobre os postes.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="background-color: white;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="background-color: white; color: #999999; font-size: x-small;"&gt;(Imagem: David Lupton)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-2979979335333812533?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/feeds/2979979335333812533/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4503152065689463961&amp;postID=2979979335333812533' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/2979979335333812533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/2979979335333812533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/06/buraco-negro.html' title='Buraconegro.'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-xiQsWI6ai60/TkVGU3lbhfI/AAAAAAAAB6w/U_B2LaNWGks/s72-c/david-lupton7.gif' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-2233329128340915289</id><published>2011-05-28T20:25:00.000-07:00</published><updated>2011-08-12T09:58:02.500-07:00</updated><title type='text'>Daquilo que não se ouve.</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-o0cr6wKSFxA/TkVUlniXHoI/AAAAAAAAB7Q/dlvChsx_i8s/s1600/david-lupton.jpg" imageanchor="1"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-o0cr6wKSFxA/TkVUlniXHoI/AAAAAAAAB7Q/dlvChsx_i8s/s320/david-lupton.jpg" width="238" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém sabe o que eu passei - anuncio quieta, compacta, falando com esse tom de voz invertido (muito baixo, muito baixo, mas ensurdece feito faca). Quase como se ouvissem. Quase como se quisessem. Respiro três vezes - ar pelo nariz e pela boca - e observo ao redor minha multidão de paredes. Esse nada e esse ninguém. Repito: do meu grito ninguém soube. E como se por dentro viesse uma enchente, vou mais alto: do meu grito ninguém soube! Despencada no chão entre inexistências nítidas. Sem a música, sem a luz, sem as fotos penduradas, sou eu a vida que berra no meio dessa morte toda. Então há algum resto de berro em mim? Pois quase achei que seria silêncio eterno.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #999999; font-size: x-small;"&gt;(Imagem: David Lupton)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-2233329128340915289?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/feeds/2233329128340915289/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4503152065689463961&amp;postID=2233329128340915289' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/2233329128340915289'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/2233329128340915289'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/05/daquilo-que-nao-se-ouve.html' title='Daquilo que não se ouve.'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-o0cr6wKSFxA/TkVUlniXHoI/AAAAAAAAB7Q/dlvChsx_i8s/s72-c/david-lupton.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-6543672207551220267</id><published>2011-05-26T20:02:00.000-07:00</published><updated>2011-07-14T11:24:06.506-07:00</updated><title type='text'>Continuando...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Essas interrupções me cansam, mas talvez sejam necessárias. Minhas palavras precisam morrer às vezes pra que outras nasçam. Então tive que me amputar pra renovar meu fôlego. Além disso, existe uma faculdade, uns projetos, existe essa imensa falta de tempo que tem ocupado todos os meus dias. Incrível como as horas do relógio em nada se assemelham às minhas. Entre trabalhos, tropeços, cotidianos embolotados e um qualquer coisa de loucura já inerente, eu vou tentando me equilibrar nos minutos e chegar até aqui. Eu não sei aonde eu fui parar. Mas eu gosto assim.&lt;/div&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-6543672207551220267?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/6543672207551220267'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/6543672207551220267'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/05/continuando.html' title='Continuando...'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-1458823726291629537</id><published>2011-05-26T10:46:00.000-07:00</published><updated>2011-08-15T14:16:22.848-07:00</updated><title type='text'>Ana</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-jtgj_YiOg-4/TkmL-xww95I/AAAAAAAAB7o/oYeiwoEy4F0/s1600/agnes-cecile.jpg" imageanchor="1"&gt;&lt;img border="0" height="298" src="http://3.bp.blogspot.com/-jtgj_YiOg-4/TkmL-xww95I/AAAAAAAAB7o/oYeiwoEy4F0/s400/agnes-cecile.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os pés finos afundam na areia, aquela areia úmida e virgem de princípio de manhã. Todo o dia é virgem, cintilando em claridade hesitante, tão fresco e infantil. Porque a noite, que é pesada, cansa demais. Então vão todos iniciando a manhã ainda graves, ainda gelados e úmidos e cheios de silêncio. Também ela que se enrosca nos próprios braços (não quer que o silêncio invada) e senta na areia, cara a cara com o mar. Depois pensa que o mar talvez não se altere, tantas noites que já viu desde que nasceu e tantos dias e tantos tudos, o mar já não se pode surpreender com muita coisa. O que é cansativo sim. Olha para os lados e percebe que é sozinha, como testemunha da vida que ali borbulha, batendo e voltando pelas ondas naquela mesmice de milênios. É tão vasto e tão delicado que seja ela a estar ali, criatura pequena olhando de baixo o bicho pré-histórico rugir. E é tolo seu ciúme quando teme não ser a única. Mas é que o mar não é todo um só, pensa. E esse aqui é meu. Feito criança, se satisfaz e abre um sorriso muito bobo e sutil como dona do mar. Dona do mar, diz baixinho, e já é tão mais ampla que quase não cabe na areia.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: #999999; font-size: x-small;"&gt;(Imagem: Agnes Cecile)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-1458823726291629537?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/1458823726291629537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/1458823726291629537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2011/06/os-pes-finos-afundam-na-areia-aquela.html' title='Ana'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-jtgj_YiOg-4/TkmL-xww95I/AAAAAAAAB7o/oYeiwoEy4F0/s72-c/agnes-cecile.jpg' height='72' width='72'/></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-4233526377302219611</id><published>2010-12-27T19:24:00.000-08:00</published><updated>2011-05-28T07:51:55.320-07:00</updated><title type='text'>às Avessas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Se eu te resgato é com a língua morna. Meu grito, que é seco, não te alcança. Mais uma vez cuspindo esse romance requentado, descascado, esfarelado, nosso caso que é fadado ao lençol sujo de motel. Des-romântica, eu quase digo que não, que vá embora, bata essa merda dessa porta, o diabo que te carregue e não te traga mais de volta. Vontade insana de meter a guimba do cigarro aceso no teu olho esquerdo ou arrancar pedaço desse teu lábio imenso, eu não sei, qualquer coisa, mas não. Respiro, respiro, olhando bem fundo na pupila que se impõe ao meu olhar. E só então abrir a boca pra dizer o sim. Meu sim de Amélia às avessas, meu sim de Folhetim. À meia luz te aceito pois já não me resta outra prenda. E é no céu da tua boca que eu despejo meu desprezo, vomitando esse nojo engatado pela tua gengiva vermelha. Eu te resgato é com a língua morna. Estuprando teus sentidos enquanto sangro sem fim. Pois eu, (des)romântica, tenho só uma página (amassada) no meu folhetim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-4233526377302219611?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/feeds/4233526377302219611/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4503152065689463961&amp;postID=4233526377302219611' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/4233526377302219611'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/4233526377302219611'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2010/11/as-avessas.html' title='às Avessas'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-5486667004089082151</id><published>2010-12-19T16:34:00.000-08:00</published><updated>2010-12-19T16:34:07.270-08:00</updated><title type='text'>Fôlego</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque às vezes é também necessário esse gigantesco passo em falso, como se pisasse em vento. No vento que avassala e carrega sem anunciar um destino prévio. É necessário o salto, o grandioso salto sem fôlego, uma nudez apertando tanto que parece sufocar. Mas então não mata: liberta. &lt;/div&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-5486667004089082151?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/feeds/5486667004089082151/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4503152065689463961&amp;postID=5486667004089082151' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/5486667004089082151'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/5486667004089082151'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2010/12/folego.html' title='Fôlego'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-1185025606691336981</id><published>2010-12-10T10:14:00.000-08:00</published><updated>2010-12-10T10:14:08.272-08:00</updated><title type='text'>Sobre uma aprendizagem ou a descoberta do mundo.</title><content type='html'>&lt;div style="color: #999999; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(10/12/10 - Minha homenagem ao dia em que Clarice Lispector completaria 90 anos)&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Conheci Clarice aos 16. Leitura obrigatória de escola e, como tal, inundada de pressão e impaciência. Eu, que desde cedo demonstrava uma incapacidade crônica de ler algo quando obrigada, não li. Passei do prazo diversas vezes, sempre empurrando para amanhã. Acabei lendo, no último instante, apenas o conto que cabia ao meu grupo. O livro era Laços de Família. Depois, na continuação do mesmo trabalho, tivemos uma prova oral que me rendeu insônias e crises de ansiedade aguda. Para me precaver, decorei a vida inteira daquela mulher até então (ou sempre?) desconhecida. Nenhuma pergunta sobre ela me foi feita e, no entanto, não esqueci nunca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Passado o trauma, o interesse despertado pelo conto me sugou para os outros do mesmo livro. Para os outros de outros livros. A legião estrangeira, Felicidade clandestina, Uma aprendizagem... Feito uma enxurrada, eu fui inundada de Clarice Lispector. Lendo com uma pressa que talvez não se justificasse, mas sempre imediata, sempre ofegante, engolindo aquelas letras até que me saciasse. Pouco depois recomeçava o ciclo. Eu tinha 16. Ainda ruiva (revolta involuntária?), incerta, excessiva. Na época, também quebrada. Eu era para todos os lados e me doía comigo mesma sem conseguir dar aos outros a compreensão do meu incômodo. Clarice me explicava. Embora eu própria não entendesse. Lendo suas linhas, me sentia um desses macacos colocados em frente a um espelho. Reconhecem a própria imagem, se encantam, se inquietam, querem entender mais e: não entendem. O mecanismo do espelho ou o porquê do reflexo é algo que a compreensão dele não alcança. Só o que lhe resta é a percepção da semelhança – e as reações que ela desencadeia. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A minha reação, embora oscilasse, pendia a qualquer coisa entre um amor e um fascínio. Pega no susto, só o que pensava era: mas nós somos a mesma, meu deus. E Clarice se tornava meu duplo, minha mãe, minha irmã, minha filha, minha mulher. Com um apego discreto, e certa dose de desespero, eu a tomava como minha: meu segredo inviolável. Afinal, era certo que a ligação de nossas almas era raridade inédita, um mistério sublime que só pertencia a nós duas. Eu carregava um livro seu na bolsa mesmo quando sabia que não teria tempo para ler. Pois só o peso, aquele peso sutil mas sensível, já me garantia o conforto da companhia. Eu já não estava sozinha. E não estaria nunca, estava convicta: Clarice me abraçava em silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Foi só aos 18 que meu encanto deu mostras de seu desmoronamento. Ao conhecer outros leitores, ao ouvir suas histórias e impressões, todos tão certos de uma compreensão inimaginável aos ouvidos alheios, eu percebi que não era tão única. Meu amor não era tão raro. Minha ligação de almas, não tão inédita. Segredo violado, eu ocupei o lugar de mulher traída. Pois sim, era traição o que me esfarelava a certeza. Então há outros com quem divides teus mistérios, Clarice? Não somos só nós, não és só minha, já não somos mais a mesma, Clarice? E as vozes alheias que insistiam em falar sobre ela com o mesmo apego, a mesma intimidade, apenas me garantiam a verdade azeda. “Escrevi livros que fizeram muitas pessoas me amar de longe.”, ela dissera um dia. E eu ouvi depois, quando era tarde, e eu já a amava como se fosse bem de perto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu fascínio partido esfriou o amor (ou meu amor partido esfriou o fascínio?). Por tempos não consegui ler palavra alguma daquela que me doía por não me pertencer. Era um egoísmo, um egoísmo pleno; e bobo. Mas não me deixava mais ser livre para afundar nas páginas dela. Só depois foi se dissolvendo esse rancor ciumento, quando eu de ruiva passei a ser morena e depois loira e depois quantas mil cores, procurando um rosto que fosse verdadeiramente meu. Em variadas faces fui sendo lapidada e me tornando mais pessoa, mais inteira. Os excessos não cessaram. Mas, ao invés de me podar, canalizei as urgências e deixei que jorrassem em papel branco. Meu amor é mais plácido. Não queima, não agride. Aprendi a dividi-lo com o mundo, sem a loucura anti-solidão. Se antes lia Clarice feito uma criança que tapa os olhos diante de um filme forte mas teima em espiar entre os dedos, agora até ouso enxergá-la a olho nu. Não dói tanto, embora haja, invariavelmente, as pontadas e fagulhas aqui e ali. Ler Clarice é um susto. Um susto do qual não se sai o mesmo nunca. &lt;/div&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-1185025606691336981?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/feeds/1185025606691336981/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4503152065689463961&amp;postID=1185025606691336981' title='16 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/1185025606691336981'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/1185025606691336981'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2010/12/sobre-uma-aprendizagem-ou-descoberta-do.html' title='Sobre uma aprendizagem ou a descoberta do mundo.'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author><thr:total>16</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-326140082565815694</id><published>2010-12-06T18:02:00.000-08:00</published><updated>2010-12-06T18:02:24.613-08:00</updated><title type='text'>Pequena epifania.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br&gt;&lt;br /&gt;Quando acontece de tudo parar, esse micro instante instantâneo, pequeno &lt;i&gt;flash&lt;/i&gt; de inércia: o mundo rodou sem mim. Sim, eu parada, eu pausada, aquela mudez de estátua submissa (não percebe nem que é estátua). Mas não, há de se recordar sempre: é assim mesmo. Pois tudo se perde. E eu e o mundo, que não nos guiamos pelos mesmos relógios, nos expelimos em assimetria destrambelhada. Eu deixei o mundo ir sem mim. E fui sem ele também, ainda que a minha escolha de movimento tenha sido a pausa estática. Não vou distribuir culpas, isso eu já não faço mais. O que sei é: meus passos carregam a solidão de um universo imenso.&lt;/div&gt;&lt;br&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-326140082565815694?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/feeds/326140082565815694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4503152065689463961&amp;postID=326140082565815694' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/326140082565815694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/326140082565815694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2010/12/pequena-epifania.html' title='Pequena epifania.'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-4503152065689463961.post-4781181373215452779</id><published>2010-11-23T06:59:00.000-08:00</published><updated>2011-08-15T14:49:38.231-07:00</updated><title type='text'>(Des)encontro</title><content type='html'>&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-4xsF3NPRUwU/TkmSmC09hnI/AAAAAAAAB7w/00VT0WQQM5U/s1600/silvia-pelissero2.jpg" imageanchor="1"&gt;&lt;img border="0" height="400" src="http://1.bp.blogspot.com/-4xsF3NPRUwU/TkmSmC09hnI/AAAAAAAAB7w/00VT0WQQM5U/s400/silvia-pelissero2.jpg" width="268" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como se já não houvesse um rumo possível, senta e larga os braços ao lado. Exausta, partida, aguardando em um aeroporto muito pequeno para ambições e esperas tão grandiosas. Que me faz assim tão ardida que não a própria ausência de um lugar de idas e vindas? Idas tuas. Vindas minhas. E no fim sobe o pássaro gigantesco te carregando para longe e me deixando a nuvem de ar misturado, empoeirado, restos de quem foi e não retorna. Não há nada no mundo que seja mais triste que um aeroporto. (Há sim, há o avião em si, esse no qual você não entrou e por isso não percebe, mas eu sim entrei e eu sei: dói.) O próprio ar que circula é amarelo, tem mofo, e também um qualquer coisa de fresco, delicado. Mistura de melancolias. É sonso o aeroporto, é sonso. (Sonsos somos nós, meu bem, o aeroporto só assiste) Depois as malas e correrias, me impressiona que estejam todos ávidos para ir a algum lugar. Todos com um destino em mãos, uma origem, aqueles planinhos empacotados junto às roupas, uma bolsa reservada só para a disposição ansiosa, idéias aguardando, idéias! A urgência circula pelas respirações e eu ali, sentada no meio da pressa, pensando com horror: mas, meu deus, sou eu a única sem destino? (Não é, eu sou também, nem sempre ir significa um plano, às vezes é mais um pavor de não se mexer e acabar estátua presa no espaço entre a ida e a vinda, entre os movimentos imponentes. Metade dos destinos se constrói sobre o medo de não encontrar um destino. Sem rumo somos todos, mas parar exige coragem.) De covardia ou certeza, não sei do que são feitos esses passos curtinhos e acumulados, apenas observo. Imaginando você a chegar em outro ponto e desfilar por outros chãos a mesma sequência, carregando a mesma bagagem, lotado da mesma afobação. E o seu destino, qual é? Sua origem, qual foi? Em algum lado entrei eu, mas também já virei parte dos restos que o avião abandona na pista. A gente sabe: quando se chega ao aeroporto aguardado, aquele da onde saímos já não mais existe. (Não. Não sei dos outros, mas meu destino e origem saem do mesmo pote. É que é preciso também andar pelos diversos mundos para que se retorne ao ponto essencial.) Levanto, suja de chão, suja de abandono e despedida. Do outro lado do vidro sobem e sobem as criaturas gigantescas, cheias de espera condensada. Não tenho mala. E assim, de mãos sem nada, vou procurar rumo em outros cantos. (Você ali, pequena vista do alto, quieta e de mãos nuas, já não me procura, já encerra a nossa busca, pensando que eu sei do que você desconhece. Sem rumo, segue estática, à espreita. E eu, engolindo ausência, escolho um destino em cardápio. Ávido por encontrar a origem que me falta.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="color: #999999;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;(Imagem: Silvia Pelissero)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/4503152065689463961-4781181373215452779?l=nasentre-linhas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/feeds/4781181373215452779/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=4503152065689463961&amp;postID=4781181373215452779' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/4781181373215452779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/4503152065689463961/posts/default/4781181373215452779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://nasentre-linhas.blogspot.com/2010/11/desencontro.html' title='(Des)encontro'/><author><name>M.F.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/02586257290774179714</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='24' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_1jhUnMjiY2k/TC181GKKYBI/AAAAAAAAB1w/KZkDPDmyMGg/S220/eu-oculos5.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-4xsF3NPRUwU/TkmSmC09hnI/AAAAAAAAB7w/00VT0WQQM5U/s72-c/silvia-pelissero2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry></feed>
